Davi no Salmo 8:4 faz a seguinte pergunta: “Que é o homem, que dele te lembres. E o filho do homem, que o visites?”. O questionamento de Davi é: “Que é o homem?”. Esta pergunta pode nos levar a muitas respostas: homem é um ser sociável, físico, psíquico, emocional, espiritual, criado à imagem e semelhança de Deus, etc.Uma grande questão nesse questionamento não é de quem se refere a pergunta, mas para quem a pergunta é feita! Para quem é feita a pergunta? Ora, a pergunta é feita para Deus! Desde o início do Salmo 8, Davi faz uma oração a Deus. E quando chega no versículo 4 faz uma pergunta a Deus sobre o ponto de vista de Deus a respeito do homem: “Que é o homem, que dele te lembres. E o filho do homem, que o visites?”. Davi começou a divagar sobre como Deus poderia ver o homem. Na Nova Tradução da Linguagem de Hoje compreendemos melhor a pergunta de Davi: “que é um simples ser humano para que penses nele? Que é um ser mortal para que te preocupes com ele?”.
Na verdade esta é uma pergunta retórica, isto é, uma pergunta que nos sugere uma única resposta: O homem é um ser insignificante perto do Deus Todo-Poderoso. Então, Davi em sua pergunta, revela o seu próprio pensamento a respeito do ser humano em relação a Deus. Davi entendia que o homem não é nada comparado a Deus. Não é nada sem Deus!
O pensamento de Davi não está errado. O que é o homem comparado a Deus? A Bíblia, a Palavra de Deus, diz muito respeito da fragilidade humana: Por causa da semente do pecado que herda de Adão, o homem já nasce espiritualmente morto: “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23). Em decorrência de sua morte espiritual, ou seja, sua separação de Deus, o homem nasce julgado por Deus: “Quem nele crê (em Cristo) não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3:18). E além de julgado, nasce também condenado à perdição eterna: “Quem crer (em Cristo) e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc 16:16).
Mas não para por aí. Tiago, irmão do Senhor escreveu sobre a brevidade da existência humana: “Vocês não sabem como será a sua vida amanhã, pois vocês são como uma neblina passageira, que aparece por algum tempo e logo depois desaparece” (Tg 4:14). Pedro quase na mesma linha demonstra que a glória dos homens um dia terá fim: “Todos os seres humanos são como a erva do campo, e a grandeza deles é como a flor da erva. A erva seca, e a flor cai,” (I Pd 1:24). Moisés melancolicamente diz no Salmo 90: “Só vivemos uns setenta anos, e os mais fortes chegam aos oitenta, mas esses anos só trazem canseira e aflições. A vida passa logo, e nós desaparecemos” (Sl 90:10).
Vemos que a Palavra de Deus revela a insignificância do homem. Somos seres frágeis, limitados, passageiros, envelhecemos, adoecemos, nos cansamos e morremos fisicamente. Por esta razão, ao olharmos para nós mesmos, podemos perceber o quanto somos dependentes de Deus. Há um provérbio estampado em carros que expressa uma grande verdade: “Você sem Deus não é nada, mas Deus sem você continua sendo Deus”.
Não podemos viver sem Deus. Necessitamos de sua salvação, de seu perdão, de seu amor, de sua paz, de sua santa presença, de sua graça, de sua misericórdia, de sua Palavra, de sua direção, de sua inspiração, de seu poder... Sem Deus nada somos e nada podemos fazer. Por isso Jesus declarou: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15:5).
A boa e grande notícia diante da nossa trágica realidade é que há uma esperança para todos nós. Mesmo sendo pecadores, Deus por sua graça, amor e justiça, enviou seu Filho Jesus para morrer em nosso lugar, para que assim, ao crermos nele pela fé recebamos perdão dos nossos pecados e eterna salvação.
É neste momento que o homem resgata a dignidade espiritual que foi perdida no Éden, pois passa a fazer parte da família de Deus ao se tornar um filho de Deus. A partir daí não somente a vida de Deus passa a fazer parte da nossa vida, mas a nossa própria vida passa a pertencer a Deus. Então vivemos de modo que toda a nossa vida, planos, sonhos, projetos, obras, ministério, é vivida em plena dependência em Deus e confiança no Senhor.
Tudo há de passar neste mundo, tudo o que existe, inclusive os seres humanos, pois “que é o homem?”. Temos, porém, uma promessa, a nós que fomos salvos por Cristo: “O mundo passa, com tudo aquilo que as pessoas cobiçam; porém aquele que faz a vontade de Deus vive para sempre” (I Jo 2:17).
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