Caro leitor, pense agora no maior acontecimento da sua vida. O fato mais espetacular. O mais maravilhoso. O mais incrível. O mais espetacular. O grande e maior acontecimento de toda a sua vida. Pois bem, se você se diz um crente em Jesus e não pensou no momento quando teve um encontro com Cristo, então há algo errado com você. Pois não pode haver experiência maior do que aquele momento que passamos da morte para a vida, das trevas para a luz, da escravidão do mundo e do pecado para a liberdade em Cristo.
Deveríamos ver a nossa conversão ou novo nascimento como o grande e maior acontecimento da nossa vida. Pois naquele dia Deus alterou o nosso presente e redefiniu o nosso futuro para toda a eternidade. Quem não vê o dia de sua conversão como o mais importante de sua vida é porque provavelmente nunca tenha tido de fato uma experiência de novo nascimento.
Ser salvo por Cristo é uma experiência que marca o nosso passado, abençoa o nosso presente e redefine o nosso futuro na eternidade. Um exemplo dessa verdade é o que o apóstolo Paulo escreveu na sua epístola aos Colossenses (3:1-17) onde fala como fomos salvos, como devemos viver e o que Jesus tem preparado para nós.
Paulo diz: “se fostes ressuscitados juntamente com Cristo...” (Cl 3:1). Ressuscitados quando? Ora, justamente na salvação, no novo nascimento, em nossa conversão a Cristo. Por que? Porque assim como Cristo ressuscitou dos mortos para nunca mais morrer, assim também nós, quando Jesus nos salvou (nos regenerou), nós que estávamos mortos em nossos delitos e pecados, fomos ressuscitamos para uma nova vida com Ele. Como? Ora, “juntamente com Cristo”, pois o mesmo poder do Espírito Santo que ressuscitou a Cristo é o mesmo poder que operou em nós a nossa ressurreição espiritual, o novo nascimento.
Mas prestemos bem atenção. Paulo coloca uma condição: “... se fostes ressuscitados...”. O apóstolo não está se referindo a todas as pessoas, ou a qualquer pessoa. Está se dirigindo aos ressuscitados em Cristo, aos regenerados, aos nascidos de novo, aos verdadeiramente convertidos a Cristo.
Então, como deve ser a vida daquele que foi transformado em filho de Deus? O que deve ocupar a mente, o pensamento daquele que teve um real encontro com Cristo? Qual deve ser o estilo de vida de alguém que nasceu de novo? Paulo responde a estas perguntas falando de duas maneiras de viver. Primeiramente diz: “... buscai as coisas lá do alto...” (Cl 3:1), e “pensai nas coisas lá do alto...” (Cl 3:3a) em contraposição a isso: “... não (pensai) nas (coisas) que são aqui da terra” (Cl 3:3b).
Mas o que significa isso na prática? Quais são as coisas da terra que não devemos pensar? O trabalho? A família? Os estudos? A profissão? O namoro que objetiva seriamente o casamento? As finanças? As contas que temos que pagar? Problemas tais como uma enfermidade ou um desemprego? Logicamente que não é dessas coisas que Paulo se refere. Se assim fosse precisaríamos sair do mundo.
Então, em quais coisas da terra não devemos pensar? Quando diz “não (pensai) nas (coisas) que são aqui da terra” não está falando simplesmente de pensamentos, mas fala de “pensar” como um “modo de vida”. Vivemos aquilo que ocupa nossa mente, nosso pensamento, nosso coração. Exteriorizamos em nossa vida aquilo que está dentro da gente. Desse modo, “pensar” aqui significa um modo de vida, um estilo de vida que devemos rejeitar em nosso viver.
Esse estilo de vida que devemos lançar fora de nossas vidas está descrito nos versículos que seguem no capítulo três: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria” (vs. 5); “Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar” (vs. 8); “Não mintais uns aos outros...” (vs. 9a).
Quem vive escravizado por estas práticas? Ora, os que não conhecem a Deus: “Pois é por causa dessas coisas que o castigo de Deus cairá sobre os que não lhe obedecem” (Cl 3:6). Por esta razão Paulo denomina essas pessoas de “filhos da desobediência”.
Este estilo de vida, associado ao pecado, fazia parte de nossas vidas antes de conhecermos a Cristo: “Antigamente a vida de vocês era dominada por esses desejos, e vocês viviam de acordo com eles” (Cl 3:7). Deus, em Cristo, nos vestiu com uma nova roupagem espiritual: “... vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem...” (Cl 3:9b, 10a). É notório que Deus quer nos mostrar através da pena de Paulo que há um contraste, uma diferença radical entre o modo de vida de seus filhos e o modo de vida daqueles que não o conhecem.
Em contrapartida, o que quer dizer quando diz: “Buscai as coisas lá do alto... Pensai nas coisas lá do alto...” (Cl 3:1, 3)? Primeiramente temos que saber de que “alto” Paulo está se referindo. Ora, o “alto” é o céu, “onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (Cl 3:1). No céu, onde Cristo habita não há pecado, não há mácula, não há mentira, não há escuridão, não há corrupção. Lá há somente amor, verdade, retidão, justiça, paz, alegria, santidade, bondade, misericórdia, graça e luz. São estas coisas do alto que devemos “buscar” e “pensar”. Estas virtudes do alto que devem estar presentes em nossa vida estão refletidas nas palavras que Paulo escreveu em seguida:
“Vocês são o povo de Deus. Ele os amou e os escolheu para serem dele. Portanto, vistam-se de misericórdia, de bondade, de humildade, de delicadeza e de paciência. Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros. E, acima de tudo, tenham amor, pois o amor une perfeitamente todas as coisas. E que a paz que Cristo dá dirija vocês nas suas decisões, pois foi para essa paz que Deus os chamou a fim de formarem um só corpo. E sejam agradecidos. Que a mensagem de Cristo, com toda a sua riqueza, viva no coração de vocês! Ensinem e instruam uns aos outros com toda a sabedoria. Cantem salmos, hinos e canções espirituais; louvem a Deus, com gratidão no coração. E tudo o que vocês fizerem ou disserem, façam em nome do Senhor Jesus e por meio dele agradeçam a Deus, o Pai” (Cl 3:12-17).
Mas por que devemos buscar as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus? Por que devemos pensar nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra? Deus, através de Paulo, continua nos dando a resposta. Ele diz: “Porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Cl 3:3). Esse mesmo na Nova Tradução da Linguagem de Hoje está assim: “Porque vocês já morreram, e a vida de vocês está escondida com Cristo, que está unido com Deus”.
Vemos aí que a Bíblia nos dá dois motivos para buscarmos e pensarmos nas coisas do alto: Primeiramente porque “morremos”, ou seja, morremos para o mundo, para o pecado, para a religião com sua religiosidade meramente exterior, e ressuscitamos com Cristo. Em segundo lugar porque a nossa vida está OCULTA ou ESCONDIDA em Deus juntamente com Cristo. Sobre este segundo motivo, podemos encontrar quatro significados:
Significa um segredo ou mistério. A nossa vida é nutrida espiritualmente por fontes desconhecidas do mundo que não conhece e não possui o Espírito Santo. Nós nos alimentamos de Jesus: “quem de mim se alimenta por mim viverá” (Jo 6:57). Isso é um mistério que o mundo não consegue compreender: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Co 2:14).
Significa nossa identidade. Somos identificados com o Senhor ressurreto. Estamos unidos com Jesus, pois a nossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus. Estamos no Pai, em associação com Jesus o nosso Salvador. O Senhor Jesus compartilha sua vida conosco. Pedro diz que somos “participantes da natureza divina” (II Pd 1:4). Isso revela a nossa profunda comunhão que temos com Deus.
Significa a nossa segurança. Estamos duplamente protegidos por estarmos escondidos “com Cristo em Deus”. Fala da segurança da salvação: Jesus prometeu que estamos seguros em suas mãos: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10:27, 28).
Fala da segurança contra o pecado: Por estarmos escondidos com Cristo em Deus, o Senhor nos protege do perigo do pecado: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (I Co 10:13).
Fala da segurança contra todos os inimigos de nossa alma: “O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao SENHOR: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio. Pois ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa. Cobrir-te-á com as suas penas, e, sob suas asas, estarás seguro; a sua verdade é pavês e escudo” (Sl 91:1-4).
Fala da segurança na dor, no sofrimento e nas tribulações: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Sl 23:34).
E em quarto lugar, relaciona-se com a nossa glorificação no arrebatamento da Igreja quando Cristo voltar para nos buscar. A nossa vida está agora “oculta” em Deus, mas no arrebatamento será revelado o que haveremos de ser eternamente na presença do nosso Deus: “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória” (Cl 3:4). João também diz: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (I Jo 3:2).
Esta reflexão fala de nosso passado, presente e futuro.
Fala do nosso passado, pois fomos ressuscitados com Cristo (Cl 3:1). Se ressuscitamos com Cristo, se somos novas criaturas, o pecado não pode ter mais domínio sobre nossas vidas. As coisas que desagradam a Deus não podem ocupar a nossa mente, o nosso pensar, e dominar nossas ações.
Fala do nosso presente, pois estamos ocultos ou escondidos com Cristo, em Deus (Cl 3:3). Por que estamos escondidos em Deus, juntamente com Jesus, podemos estar certos que nada poderá nos separar do seu amor. Paulo também disse aos cristãos de Roma: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:35-39).
Fala do nosso futuro, pois seremos manifestados em glória com Cristo (Cl 3:4). Aos cristãos de Tessalônica Paulo revelou: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor” (I Te 4:16, 17).
Portanto, se fomos ressuscitados com Cristo, se estamos escondidos em Deus e seremos manifestados em glória com Cristo, devemos buscar e pensar nas coisas do lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Devemos pensar e buscar a Palavra de Deus, o Espírito Santo, a verdade, a justiça, a paz, a alegria, a santidade, a bondade, a fé, a misericórdia, a graça, o perdão e o amor.
A Deus, e somente a Ele seja a glória para sempre!


